Professor Rafael Vasconcelos

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LETRAMENTO DIGITAL

sábado, 4 de junho de 2011

29 Dicas Para Escrever Bem.


1.    1.  Deve evitar ao máx. a utiliz. De abrev., etc.

2.     2.  É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

3.     3.  Anule aliterações altamente abusivas.

4.      4. não esqueça as maiúsculas no início das frases.

5.      5. Evite lugares comuns como o diabo foge da cruz.

6.      6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7.      7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8.      8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça Nice, sacou??... Então valeu!

9.       9. Palavras de baixo calão podem transformar o seu texto numa ********

10.   10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

11.   11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

12.   12. Não abuse das citações. Como eu sempre digo: “Quem cita os outros não tem ideias próprias.”

13.  13.  Frases incompletas podem causar

14.   14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma ideia várias vezes.

15.   15. Seja mais ou menos específico.

16.   16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17.   17. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a virgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação

18.   18. Quem precisa de perguntas retóricas?

19.   19. Conforme recomenda A.G.O.P., nunca use siglas desconhecidas.

20.   20. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

21.   21. Evite mesóclises. Repitam comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”

22.   22. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

23.   23. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

24.   24. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da ideia nelas contida e, por conterem mais que uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não devia ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

25.   25. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língua portuguêza.

26.   26. Seja incisivo e coerente, ou não.

27.   27. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambiguidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.

28.   28. Outra barbaridade que tu deves evitar Che é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carajo! Nada de mandar esse trem... Vixi... Entendeu bichinho?

29.   29. Não permite que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A Banda Mais Bonita da Cidade


A Banda Mais Bonita da Cidade. Sim, esse é o nome do grupo lá de Curitiba que conheci através da indicação de um amigo, e, que, não posso negar: ME APAIXONEI. Não afirmo que esta seja mesmo a banda mais bonita lá da cidade paranaense, mas que é uma das mais bacanas que conheci nos últimos tempos não há dúvidas. O clipe de Oração foi gravado de uma vez só e dá pra sentir como deve ter sido divertido aquele dia. É incrível constatar o poder que a letra tem - não a letra da música - mas das palavras. Uma letra simples - agora falando da canção - com estrofe simples... Foi transformada em poesia e mesmo com a constante repetição da estrofe - porque eles repetem muitas vezes mesmo - chega a ser impossível não se encantar e assistir ao vídeo pela segunda vez consecutiva.

É o tipo de música/vídeo que você vê e revê por muitas vezes sem enjoar, e que não conseguirá guardar tal preciosidade para si próprio. Você vai sentir a necessidade de compartilhar em suas redes sociais, de indicar a amigos... E de rever sempre!

Aproveito pra mostrar outros vídeos deles, que, tenho certeza, logo estarão fazendo sucesso no país inteiro! Atenção pra letra de Lobotomia, que é linda também.
O vídeo com a música “Oração”, no Youtube, já ultrapassou a marca de 351.500 visualizações em poucos dias. Está aí um grupo e que já nasce clássico, já nasce único!

Oração – A Banda Mais Bonita da Cidade

Meu amor
Essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa
Cabe o meu amor
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois
Cabe até o meu amor
Essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa
Cabe o meu amor
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe essa oração

Canção Pra Não Voltar – A Banda Mais Bonita da Cidade


Não volte pra casa meu amor que aqui é triste
Não volte pro mundo onde você não existe
Não volte mais
Não olhe pra trás
Mas não se esqueça de mim não
Não me lembre que o sol nasce no leste e no oeste morre depois
O que acontece é triste demais
Pra quem não sabe viver pra quem não sabe amar
Não volte pra casa meu amor que a casa é triste
Desde que você partiu aqui nada existe
Então não adianta voltar
Acabou o seu tempo acabou o seu mar acabou seu dia
Acabou, acabou
Não volte pra casa meu amor que aqui é triste
Vá voar com o vento que só lá você existe
Não esqueça que não sei mais nada
Nada de você
Não me espere porque eu não volto logo
Não nade porque eu me afogo
Não voe porque eu caio do ar
Não sei flutuar nas nuvens como você
Você não vai entender
Que eu não sei voar
Eu não sei mais nada
Dó com baixo em dó
Sol com baixo em si
Lá com baixo em lá
Lá com baixo em sol
Fá com baixo em fá
Fá com baixo em fá sustenido
Sol com baixo em sol
Sol com lá bemol

Lobotomia – A Banda Mais Bonita da Cidade


Se você também gostou divulgue.

Página da Banda no Facebook: https://www.facebook.com/abandamaisbonitadacidade?ref=ts
Página da Banda no Twitter: @bandamaisbonita

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Querido John

Sou mega suspeito em falar sobre Nicholas Sparks, visto que o tenho como um dos meus ídolos literários. Querido John não foge da linha romance água com açucar - característica do autor. Mas esta história em especial, é muito especial. Uma história sem final feliz, mas ao contrário do que se pode pensar, o leitor não encerra a obra com a sensação de frustração. Pelo contrário. O leitor fica tão apaixonado quanto um "Viveram felizes para sempre."


Em Querido John  o jovem indomado John Tyree ingressa nas Forças Armadas, depois de uma longa e difícil convivência com o taciturno pai. Aliviado por sair de casa, ele vê o mundo se desdobrar diante de si, com milhares de novas perspectivas, antes ausentes de sua existência.

Ao aproveitar sua primeira licença em visita ao pai, em Wilmington, ele conhece Savannah Lynn Curtis, depois de um incidente com sua bolsa, a qual ele resgata e, depois de posar como herói, é convidado pela garota a se juntar ao seu grupo de amigos, em um churrasco. Um vínculo instantâneo se estabelece entre ambos e eles não conseguem mais ficar distantes um do outro.

Mas o tempo passa e, apesar de acreditar ter encontrado a mulher de sua vida, John é obrigado a retornar para o Exército, após duas semanas de intenso relacionamento afetivo. Savannah promete esperar sua volta, depois do término das obrigações com as Forças Armadas.

O que os dois amantes não podem imaginar é que um único dia e os terríveis eventos que ele testemunha, o fatídico 11 de setembro, quando os Estados Unidos sofrem um inesquecível atentado terrorista, mudará tudo também em suas vidas. Entre o que sente pela mulher amada e as dívidas que assume, a partir de então, com seu país, John é obrigado a fazer uma escolha que pode abalar definitivamente seu relacionamento com Savannah.

O jovem se alista por mais dois anos e o intercâmbio de cartas entre ele e a amada vai adquirindo uma tonalidade menos apaixonada, e as mensagens vão se espaçando, o que pode levar ambos a crer que a conexão entre eles não é intensa o suficiente para transcender o tempo e o espaço e mantê-los unidos.
Ao contrário das histórias de amor tradicionais, John e Savannah não são exatamente almas gêmeas, o que não os impede de constituir uma dupla admirável. Com o tempo, porém, as distinções entre eles ganham força, impulsionadas pela distância. O enredo atinge o ápice quando ele, o jovem rebelde e às vezes rude, recebe uma carta definitiva da garota espontânea e cheia de sonhos. Esta última mensagem pode mudar tudo entre eles. Não é difícil para o leitor, nesse entremeio, se identificar com alguns dos personagens.

Para quem assistiu ao filme, apenas, digo: esqueçam a história que o cinema lhe mostrou. Querido John é a pior adaptação já realizada para as telonas, na minha humilde opinião. No cinema, a história de John e Savannah, bem como os demais personagens que os acercam, foram deturpados, bem como a história em si. No filme há detalhes que não são originais da obra de Nicholas Sparks, como a salvação de John por uma moeda. Minha decepção e indignação quanto a adaptação se dá pelo fato de que, é perfeitamente normal elementos serem cortados, em se tratar de cinema, mas daí a deturpar a história e o perfil psicológico dos personagens, para mim, é demais.

No livro Savannah é uma menina doce e apaixonante, bem como John. Porém o filme não explora esta doçura de Savannah, não faz com o que o expectador torça pelo casal como faz o livro. Sendo assim, quem assistiu apenas ao filme, não sabe da bela história que é Querido John.

A Cabana

Terminei de ler o livro ontem. O que posso dizer dele? Achei um romance curioso. Apenas isso, mais nada.

Ficava incomodado quando via uma ou outra pessoa discutindo sobre o livro e eu sem poder opinar. Fui até uma livraria e o peguei em mãos. Fiquei indeciso se o levava ou não. Olhando a contracapa me senti forçado a ler após a crítica de Mike Morrel, ao dizer: "(...) Se você tiver que escolher apenas um livro de ficção para ler este ano, leia A Cabana."

Detestei as primeiras páginas. A impressão que tive era a de que eu estava lendo aqueles folhetos religiosos que deixam em nossa caixa de correio. Postando um comentário e outro em meu perfil no Facebook, não faltaram comentários elogiando a obra. Houve também quem criticou, mas a grande maioria o classificou como Excepcional! Isso fez com que eu "empurrasse" minha leitura. 

Não sei se é devido a minha criação, mas a história da família que vive para Deus, a família de comercial de margarina... Soa-me um tanto surreal e entediante. Principalmente na passagem em que relata que o personagem protagonista Mack, sempre orava com seus filhos antes de dormir. 

Minha leitura começou a criar curiosidade a partir do momento em que Mack retorna à Cabana. Para quem ainda nçao o leu, não entregarei as fichas, mas achei curiosa a maneira como a Santíssima Trindade é explicada e tratadas com carinho durante toda a narrativa. Bem verdade que eu nunca entendi esta história de que Deus, Jesus e Espírito Santo; são as mesmas pessoas. Verdade ou não, por eu ser um leigo no assunto, a explicação dada no livro me serviu e basta. 

O livro está mais para auto-ajuda do que para uma obra de ficção, embora todos os elementos usados são os de uma narrativa. O que chamou a minha atenção, além da forma diferenciada com que Deus é abordado, foram algumas frases citadas que achei interessante. Não são frases para Twitter e/ou Facebook, e, sim, frases que nos leva a alguma reflexão.

"(...) Suas escolhas também não são mais fortes do que os meus propósitos, e eu usarei cada escolha que vocês fizeram para o bem final e para o resultado mais amoroso." - Deus em forma de uma negra, sim, mulher; conversando com Mack.

"(...) Você vê a dor e a morte como males definitivos, e Deus como o traidor definitivo, ou talvez, na melhor das hipóteses, como fundamentalmente indigno de confiança. Você dita os termos, julga meus atos e me declara culpado."  - Ou seja. Vivemos no livre arbítrio. Quando escolhemos um caminho errado onde as coisas podem dar errado, nos viramos contra Deus. - Faz sentido, pelo menos para mim. Ele nos deu o bem e o mal, cabe a nós qual escolher.

"(...) Você não pode "produzir" confiança, assim como não pode "fazer" humildade. Ela existe ou não. A confiança é fruto de um relacionamento em que você sabe que é amado." - Me fez refletir.

"(...) A imaginação é uma capacidade poderosa! (...) Mas, sem sabedoria, a imaginação é uma professora cruel." - Transmitindo para uma situação amorosa. Qual o ciumento que nunca imaginou coisas e se cobrou ou cobrou alguém pela sua imaginação que por muitas vezes são irreais?

"(...) É impossível ter poder sobre o futuro, porque ele não é real, e jamais será." - Muito reflexivo.

" - Nossa Terra é como uma criança que cresceu sem pais, não tendo ninguém para guiá-la e orientá-la. (...) Alguns tentaram ajudá-la, mas a maioria procurou apenas usá-la. Os seres humanos, que receberam a tarefa de guiar amorosamente o mundo, em vez disso o saquearam sem qualquer consideração. E pensaram pouco nos próprios filhos, que vão herdar sua falta de amor. Por isso usam e abusam da Terra e, quando ela estremece ou reage, se ofendem e levantam os punhos contra Deus." -  Explicação bastante coerente com a nossa realidade.

"Submissão não tem a ver com autoridade e não é obediência. Tem a ver com relacionamentos de amor e respeito." - Tapa na cara, não?

"(...) Julgar exige que você se considere superior a quem você julga (...)" - E então?...

"(...) religião, política e economia são ferramentas que muitos usam para sustentar suas ilusões de segurança e controle (...)."

"(...) As mentiras são um dos lugares mais fáceis para onde os sobreviventes correm. Elas dão um sentimento de segurança, um lugar onde você só precisa contar consigo mesmo. Mas é um lugar escuro, não é?" - Para mim esta é a melhor passagem.

Acredito que não importa o adjetivo que cada um dará ao livro, mas vale ressaltar que tudo o que é dito em A Cabana, trata-se de uma ficção, por mais auto-ajuda que ele pareça ser. Importante que os leitores não façam como fizeram em O Código Da Vinci de Dan Brown, achando que a ficção é a verdade única e absoluta.

Aos curiosos, boa leitura.


A Menina que Roubava Livros


Markus destaca neste romance a importância das palavras em um dos momentos mais dolorosos já vividos pela Humanidade. Realmente, ao lado da protagonista, Liesel Meminger, e de seu companheiro de aventuras Rudy Steiner, brilham as palavras, personagens especiais deste enredo, sempre no centro da ação, nas entrelinhas ou na tessitura da narrativa. Palavras que constroem e destroem, que Liesel ama e odeia. As cores também se sobressaem nesta história que se passa na época do Nazismo, em plena Alemanha hitleriana, narrada por ninguém menos que a Morte, sob o ponto de vista desta e com seus comentários geniais intercalados à narrativa. Aliás, esta narradora tem um jeito bem peculiar de interpretar as lembranças de Liesel, gravadas em seu diário – na verdade um livro, no qual a menina se reconcilia com as palavras e grava a essência de sua existência -, perdido durante a Guerra e resgatado pela Morte, que o traduz ao leitor.

Para a narradora, não importa saber o que vai ocorrer no final do romance, o mistério suspenso, mas sim o trajeto narrativo e toda a riqueza inerente a ele – os recursos estilísticos, a prosa poética, a magia oculta nas entrelinhas, a emoção e o humor inusitado que se revelam aqui e ali, as surpresas lingüísticas, as tiradas metanarrativas, muitas vezes irônicas, doadas ao leitor pelo autor, através de sua narradora. Desta forma, o escritor questiona a narrativa tradicional, os mecanismos estratégicos que geram e mantêm o suspense, até a solução final do enigma, os quais condicionam a história à resolução deste, desprezando muitas vezes o valor da narração, as riquezas que dela podem ser extraídas. O autor propõe aqui uma valorização do percurso, dos recursos narrativos, da apropriação da linguagem como o próprio núcleo do enredo.

Nesta obra, o autor, através da Morte, tenta provar a si mesmo e ao leitor que a vida, apesar de tudo, vale a pena. Ele se confronta com os fantasmas de seu próprio passado, presentes na trajetória de sua família durante o Nazismo. Reflexões inusitadas, de pura ironia lírica, conquistam os que lêem este romance, desde as primeiras linhas, quando se percebe claramente quem é a contadora desta e de outras histórias, e qual é o seu estilo. Mesmo assim, pode-se dizer que cada etapa da leitura nos surpreende e encanta, até quando acreditamos que o autor já esgotou toda a sua capacidade criativa. Passagens como “As labaredas cor de laranja acenavam para a multidão, à medida que papel e tinta se dissolviam dentro delas. Palavras em chamas eram arrancadas de suas frases”, referentes a uma fogueira de livros proibidos, dão espaço a outras ainda mais poéticas e irônicas. Elas se sucedem na tentativa de transmitir ao leitor o clima perturbador que pairava sobre a Alemanha Nazista.

Os caminhos da Morte e de Liesel Meminger se cruzam três vezes entre 1939 e 1943. Mas Liesel é uma sobrevivente, o que impressiona a ceifadora de vidas. Assim esta, fascinada pela garota, decide narrar sua história, ao se apropriar involuntariamente de seu diário. Esta narrativa é apenas uma entre as que a Morte poderia contar, escolhida no acervo de experiências que ela transporta em si, tentando compreender a natureza humana e a importância de sua existência. Liesel também está em busca do sentido de tudo que vive, em meio à miséria, à morte e à destruição. Nesta cruzada pela compreensão da essência da vida, a garota é guiada pelas palavras, que coincidentemente ou não a perseguem desde sua primeira perda, a do irmãozinho que ela vê morrer a seu lado, em um trem no qual é levada para uma nova vida, não necessariamente desejada por ela. Neste momento, ela se encontra diante da primeira oportunidade de furtar um livro, e é justamente a companhia das histórias que dão à menina, no centro da destruição provocada pela guerra – que oferece à Morte um trabalho redobrado -, um eixo de sustentação e um certo sentido para sua existência.

Todos um dia terão um encontro marcado com a narradora desse livro, mas apenas Liesel Meminger tem o privilégio de ter sua história narrada por ela. Mas também não é qualquer um que sobrevive a uma guerra como esta, vendo tudo e todos desabarem à sua volta, não é qualquer uma que amadurece e permanece viva ao encontrar um propósito maior para sua vida, justamente nas páginas de um livro, ou posteriormente, de um diário. Sim, parece que a Morte, ao contrário de todos os prognósticos, tem coração, e o revela ao escolher a trajetória de Liesel para transmitir ao leitor. Aliás, há muitas passagens em que esta narradora revela seu lirismo, sua ternura, seus cuidados com almas exaustas e envenenadas pela dor e pela crueldade da Guerra, até mesmo sua indignação e revolta com os extremos da desumanidade que atingem os requintes nazistas. Nestes momentos, a Morte, que é uma ótima observadora, percebe reflexos desta ideologia bárbara na própria Natureza, ora na “fuga das próprias nuvens”, ora nos contornos loiros do Sol ou no imenso e assustador “olho azul do ar” que não se consegue mais respirar.

Outras histórias dentro da história aparecem ao longo do enredo – as dos livros roubados pela Menina, as dos que ela ganha em seus aniversários, desde as narrativas inerentes ás obras até as que envolvem seu furto ou a forma como foram presenteados – cigarros trocados por livros, ou histórias escritas e pintadas em um livro como o “Mein Kampf” (“Minha Luta”), de Adolph Hitler. Cada uma destas estórias é um retrato a seu modo da Alemanha Nazista, e enriquece ainda mais a narrativa principal. Cores, desenhos, palavras, livros, aventuras vividas por Liesel e Rudy, amizades construídas sobre a dor, a miséria, a luta pela sobrevivência, como a da garota e seu pai adotivo, Hans, e a da menina com Max, um judeu que cruza sua vida e a marca definitivamente. Desta forma o autor vai tecendo o panorama desta época sombria, compondo seus contornos cada vez mais macabros, mas também permeados por aventuras infantis e sentimentos nobres.

Uma leitura deliciosa - Recomendo demais!!!
Para mim, uma narrativa única e excepcional! 
A maneira como autor vai entregando o final da história sem matar a curiosidade do leitor, e dinamizando a narrativa com sínteses, tópicos e definições do Dicionário DODEN - é brilhante.

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