Professor Rafael Vasconcelos

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Resenha Crítica do livro O Jogo Dramático Infantil, de Peter Slade

Por Rafael Vasconcelos           

          Peter Slade em seu livro O Jogo Dramático Infantil, faz contribuição significativas para um trabalho em sala de aula, usando a linguagem teatral como material didático. Slade apresenta de forma sucinta e prática, meios para que o professor possa utilizar o teatro em sala de aula como um bem maior, muito mais do que uma representação de cena, ele nos mostra de forma clara e objetiva como utilizar do jogo teatral para transformar o aluno. Transformações esta de extrema importância para o viver escolar da criança, despertando o sentido de pesquisa, desinibição, trabalho em equipe, respeito às regras dentre tantos outros pontos primordiais para o bom desenvolvimento do aluno. 

            Ao contrário do que muitos possam imaginar, a relação entre teatro e jogo teatral é estreita. Não é raro encontrar professores que utilizam deste método teatral como forma única de representação, com isso, diversas frustrações são sentidas pelo educador. O teatro é muito mais que a escolha de um bom texto e distribuição de personagens. Slade foca o teatro como forma de conhecimento particular e meio de descoberta pessoal da criança.

Em seu livro fica evidente o estreitamento da relação entre teatro e jogo teatral, uma vez que muitos educadores partem desta atividade para conceber seus espetáculos.  Nota-se que o objetivo de se trabalhar com jogos teatrais em sala de aula é a de visar a passagem do teatro concebido como ilusão para o teatro concebido como realidade cênica. Com isso fica claro que tão estreita pode ser a relação teatro e jogo, quanto jogo e vida. Esta falta do jogar na vida do indivíduo, ou seja, da criança pode significar uma parte importante do seu ser, como perdida. E é justamente esta parte perdida, desconhecida e não criada do seu próprio eu, que passa a ser um elo perdido dando vazão a causas e dificuldades que a criança enfrentará nos anos que virão de sua vida. (SLADE, 1978, p.20).

Defendendo esta idéia Slade vem como precursor do teatro criativo, definindo sua terminologia jogo dramático infantil como: “uma forma de arte por direito próprio, não é uma atividade inventada por alguém, mas sim o comportamento real dos seres humanos.” Segundo ele, o jogo dramático “é uma parte vital da vida jovem. Não é uma atividade de ócio, mas antes a maneira de a criança pensar, comprovar, relaxar, trabalhar, lembrar, ousar, experimentar, criar e absorver” (SLADE, 1978, p.17).
            Slade vai além e atribui a simples ação do jogar, neste caso dando o sentido do brincar e faz de conta; como um impulso primordial a raiz do jogo dramático. A brincadeira pode vir como forma de representar, representação esta que faz com que a brincadeira teatral infantil apresente ocasiões de caracterizações e situações emocionais com tamanha nitidez, que com isso, acabam por ascender à criança para o jogo dramático.  As categorias propostas por Slade não estão de acordo com a distinção entre jogo realista no qual a situação a ser encenada é logo de cara pré estabelecida pelo orientador, seja ele, professor ou diretor teatral;  e jogo imaginativo, em que a atividade em que a encenação é o fruto da imaginação e criatividade particular do indivíduo, não contando assim com qualquer tipo de interferência externa, como estabelecem alguns teóricos. Slade expõe sua opinião sobre a questão:

[...] “o jogo (e certamente nos estágios mais precoces) é tão fluído, contendo a qualquer momento experiências da vida cotidiana exterior e da vida imaginativa interior, que se torna discutível se um deveria ser encarado como uma atividade distinta do outro. É importante, naturalmente que a diferença seja compreendida, mas a distinção pertence mais ao intelecto do que ao jogo propriamente dito. A criança sadia se desenvolve para a realidade à medida que vai ganhando experiência de vida” (SLADE, 1978, p. 19).

Slade, porém, não destrói o jogo realista, pelo contrário, ele ainda o sugere dentre as dinâmicas e exercícios descritas e propostas por ele. O que ele defende é o fato de que o mediador (professor ou diretor teatral), não efetive uma divisão entre esse jogo e o jogo imaginário, uma vez que, na prática, tanto um quanto o outro dificilmente são unidos. Sendo o autor propõe a distinção entre jogo projetado e jogo pessoal. O primeiro caso é “mais evidente nos estágios mais precoces da criança pequena, que ainda não está pronta para usar seu corpo totalmente” (SLADE, 1978, p. 19). "Por conta disso, no jogo projetado, o corpo é usado com algumas restrições, ao contrário da mente, que é amplamente ativada. Há uma tendência à quietude e a principal parte do corpo utilizada são as mãos, pois essa categoria conta com a presença de objetos ou brinquedos que “ou assumem caracteres da mente ou se tornam parte do local [...] onde o drama acontece” (SLADE, 1978, p. 19).

É por volta dos cinco anos de idade que o jogo pessoal se manifesta e se intensifica de acordo com o controle exercida pela criança sobre o seu corpo. De acordo com Slade “é o drama óbvio: a pessoa inteira ou o ‘eu’ total é usado. Ele se caracteriza por movimento e notamos a dança entrando e a experiência de serem coisas ou pessoas” (1978, p. 19). Nota-se, nesse caso, a disposição da criança para o barulho e para o esforço físico.

Em se tratando da influência do jogo na vida da pessoa, pode-se esperar, segundo o autor, contribuições específicas de cada categoria. Do jogo projetado pode-se ter, como provável, o desenvolvimento de atividades relacionadas à arte, jogos e esportes calmos, bem como a habilidade em ler e escrever. Já do jogo pessoal, espera-se a contribuição na propagação das mais variadas formas de atuação, tais como esportes que envolvem ação, liderança e controle pessoal.


sábado, 13 de novembro de 2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ti Ti Ti do Dia.

Por Rafael Vasconcelos


A Rádio Jovem Pan deu a seguinte notícia hoje em seu perfil do Twitter: "Ricky Martin diz que vai casar com namorado em segredo."
1º - Se o astro pop fez tal divulgação, certamente já não é mais segredo.
2º - Se ele irá se casar, é obvio que será com o seu namorado.


Portanto anuncio: "Ricky Martin declarou nesta quinta feira, que se casará em breve. Data e local da cerimônia será mantida em segredo. 2010 está sendo o ano das revelações para o cantor. Após declarar sua homossexualidade o astro pop lançou neste mês sua biografia onde revela em detalhes sobre sua passagem no grupo Menudo e da sua vida particular".


E mais revelações:


Na madrugada de hoje, o autor Walcyr Carrasco revelou em seu perfil do Twitter que já está escrevendo seu mais novo folhetim, que terá como pano de fundo o significado da  alma e a força divina que cria a vida.  Afirmou que a trama não se trata de espiritismo, mas  tem como foco responder a questão sobre onde está a essência divina que produz a vida.
Walcyr revelou também que deu inicio nesta semana a uma forte dieta sob a supervisão do médico Eduardo Gomes de Azevedo, da clínica Ana Aslan. O regime do Dr. eduardo Gomes de Azevedo é baseado no tipo sanguíneo de cada um, portanto, cada pessoa possui uma dieta diferenciada.  O autor declara também que é super indicisplinado, e ainda cita, "Meus paletós não servem mais; Os botões das minhas camisas estouram no umbigo e ficam aqueles pelinhos para fora (...) Meu personal trainer, me castiga na esteira! E mesmo assim não tomo jeito".
Coincidência ou não, um dos núcleos da nova novela de Walcyr Carrasco será justamente um Spa. Algumas atrizes que integrarão este núcleo já foi confirmada pelo autor como, por exemplo,  Cissa Guimarães que será a proprietária e Flávia Garrafa, a médica. Susy Rego será uma mulher que irá lutar contra a obesidade, mas foge da dieta roubando doces e chocolates as escondidas.  Neste núcleo a presença de Cristina Mutarelli, Mirian Lins e Neusa Maria Faro, também já estão confirmadas.  Encerrando as revelações de seu novo folhetim, Walcyr declara que Cláudia Rodrigues voltará à televisão numa participação pra lá de especial no núcleo do Spa que promete ser cenário de muita confusão, armação e risos.  
A novela ainda não tem data e horário confirmado, mas tudo leva a crer que será a substituta do atual sucesso Ti Ti Ti, no horário das 19h da Rede Globo. É aguardar para ver.



O SAMBISTA SEM VOZ

Por Rafael Vasconcelos


O Mundo ainda se recuperava do trauma do naufrágio do maior navio já construído até então, o Titanic, quando a exatos 85 dias após, no dia 06 de julho de 1912, vem ao mundo João Rubinato. Filho de Fernando e Ema Rubinato, imigrantes italianos de Veneza que se radicaram no Brasil, mais precisamente na cidade de Valinhos interior do estado de São Paulo. Sua data de nascimento foi adulterada para 06 de agosto de 1910, para que o garoto pudesse mais tarde vir a trabalhar. Ainda pequeno muda-se com os pais para a cidade de Jundiaí, interior paulista, e é matriculado na escola Siqueira Moraes onde hoje funciona a Pinacoteca de Jundiaí, antigo espaço da Biblioteca Municipal Profº Nelson Foot.

            Neste mesmo período o garoto, já com sua data de nascimento adulterada, é contratado para trabalhar nos vagões de cargas da estrada de Ferro Jundiaí – Santos. Desde cedo a mãe Ema lutava para que o filho freqüentasse a escola, efeito este que só era obtido após algumas sessões de varas de marmelo. Em 1924, muda-se para a grande São Paulo na cidade de Santo André, onde arruma o ofício de tecelão, pintor, encanador, serralheiro, mascate e garçom. Matricula-se na escola Liceu das Artes onde se qualifica a Ajustador Mecânico. Com experiências profissionais como bagagem, decide se mudar para a capital paulista e passa a morar em uma pensão. Neste período o jovem com apenas 12 anos de idade, começa a compor suas primeiras canções. Após muitos gongos no programa de rádio de Jorge Amaral, João vence um singelo concurso com o samba Filosofia de Noel Rosa.

            Em 1933, João assina contrato com uma rádio paulista e passa a cantar em um programa semanal de 15 minutos, com o acompanhamento de bandas regionais. É neste ano que João Rubinato muda seu nome de batismo para o nome que veio a consagrá-lo no Brasil, Adoniran Barbosa. A escolha do nome Adoniran foi uma homenagem ao amigo de longas boemias e o Barbosa foi extraído também em uma homenagem do sambista Luiz Barbosa, grande ídolo do compositor na época.  No ano seguinte compõe em parceria de J. Aimbarê, a marchinha de carnaval Dona Boa. Canção que lhe rendeu o 1º lugar no concurso carnavalesco organizado pela Prefeitura de São Paulo, no ano seguinte. Com o sucesso estrondoso da marchinha, decide se casar com Olga, uma moça que namorava há um tempo. Seu casamento durou pouco menos de um ano, mas foi do fruto deste relacionamento que nasce sua única filha, Maria Helena. O sucesso desta canção o leva a assinar contrato com a Rádio Record onde só saiu após sua aposentadoria em 1972. E Foi lá que Adoniran passou a desenvolver outros dotes artísticos, como o humorismo e o rádio-teatro.

            Com um bom contrato e já reconhecido pelos paulistanos, Adoniran cria mais um de seus maiores sucessos, desta vez não foi um samba e sim os personagens que ele mesmo protagonizou, Pernafina e Jean Rubinet. Em 1945, estréia no cinema com o filme PIF-PAF. Casa-se pela segunda vem em 1949, com Matilde de Luttis, que veio a ser sua companheira por mais de 30 anos. Matilde além de esposa, também dividiu composições com Adoniram nas canções Pra que Chorar? e A Garota Vem Descendo. Foi no filme, O Cangaceiro, de Lima Barreto, na indústria cinematográfica Vera Cruz que Adoniran tem o seu maior desempenho e reconhecimento. Nesta época compõe sucessos como que quase sempre foram gravadas pelos paulistanos sambistas, Demônios da Garoa. Mais prêmios em concursos foram conquistados com as canções Malvina e Joga a chave. Dentre as canções também premiadas estão, Samba de Ernesto, Trem das Onze, Saudosa Maloca dentre outras.

            Em 1955 estreou sua mais nova criação, o personagem Charutinho, que veio a ser o seu maior sucesso no rádio, no programa Histórias das Malocas de Oswaldo Molles. Se não bastasse a sua contribuição artística no rádio como cantor, compositor e ator, Adoniran também faz parte da história televisiva brasileira, participando das primeiras tele novelas da TV Tupi, como por exemplo, A Pensão de D. Isaura. Mas o seu reconhecimento de fato só veio com a gravação de seu primeiro disco em 1973. Período este que o Brasil o reconhece como um grande compositor. Passou a maior parte da sua vida no bairro do Bixiga, Bela Vista em São Paulo. Tal paixão pelo o seu bairro de coração, pode ser nitidamente sentida em muitas de suas composições. Tanto que lhe rendeu um espaço no Especial de Elis Regina transmitido pelo canal Bandeirantes, ao qual durante um bate papo vai apresentando seu bairro a cantora, até pararem em um botequim e soltarem o gogó na boa e velha, Saudosa Maloca. Esta sua participação no programa da amiga Elis Regina, ainda mostra em um determinado momento quando ambos passam em frente a uma discoteca e Elis decide entrar para curtir o som de Rita Lee, que alçava vôo solo. Adoniran se recusa a acompanhá-la sob a justificativa de preferir o velho ao novo, se referindo ao novo estilo musical da ex Mutante.

            Infelizmente, Adoniran é até hoje lembrado como sendo “aquele sambista que não teve voz na metrópole”. Mesmo após a sua morte até os tempos atuais, ainda é possível relembrá-lo com suas belas canções regravadas por artistas ilustres da atualidade, como Ivete Sangalo em parceria com Demônios da Garoa em Trem das Onze. Na capital paulista, mais precisamente na rua XV de Novembro, está o Museu de Adoniran Barbosa, no bairro do Bexiga. No Parque do Ibirapuera, um albergue para desportistas carrega o seu nome, assim como também tornou nome de uma das ruas do Bexiga e na Praça Don Orione há um busto em sua homenagem. Adoniran Barbosa ainda é uma praça e no Bairro Jaçanã muito conhecido por uma de suas autorias, possui uma rua com o nome Trem das Onze.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Corrida ao Caos

De Paulo Jordão. O texto procura mostrar o conflito de várias pessoas em um fim de tarde paulistano. Dentro de uma lotação, no trânsito caótico, os personagens expressam suas alegrias, angústias e ansiedades. Com Rafael Vasconcelos, Carol Cardona e outros. Direção de Antonio Netto. Teatro Commune / Rua da Consolação - SP.





Divulgação da peça na Rádio Joven Pam


Material de Divulgação


Material de Divulgação


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